Apresentação

Nos últimos anos, o Brasil viveu um conjunto de transformações que legitimam uma inserção social por meio da expansão das políticas públicas, propiciando que milhares de pessoas deixassem de ser apenas um número afetado pela economia para se tornarem seres humanos na condição de cidadão de direito, reconhecido pelo estado brasileiro. O processo de redemocratização que acontecia no país, também ocorreu dentro da Psicologia. Se há 40 anos éramos uma profissão em que menos de 4% da população tinha possibilidades de acessar, hoje é praticamente impossível um cidadão que, em algum momento, não tenha acesso ao serviço da(o) psicóloga(o). Isso se deu porque conseguimos mostrar que somos uma profissão em condição de contribuir para o desenvolvimento social.


Neste contexto, a pergunta que toda(o) psicóloga(o) deve se fazer é: por que devemos prestar atenção na conjuntura social em que estamos inseridos? Trilhamos um caminho de defesa de questões importantes para uma sociedade melhor, como promoção da igualdade social, a defesa dos Direitos Humanos, a inclusão social, laicidade de Estado, lutas contra o racismo, discriminação e preconceito, entre muitas outras lutas contra as heranças construídas historicamente pelo nosso passado escravista e pela herança colonozidora. Estas conquistas neste
pequeno interstício da democracia brasileira foram ameaçadas. Quando a democracia é posta em risco, os direitos do cidadão são colocados em risco e, consequentemente, a profissão corre risco, pois se fundamenta na afirmação dos direitos do cidadão.


Isso nos coloca, necessariamente, a pensar como a psicologia pode oferecer elementos para compreender processos atuais que rompem a democracia e a paz social? Devemos ser capazes de usar as ferramentas construídas historicamente para analisar o que acontece na sociedade e ajudar a entender os mecanismos que manipulam a subjetividade e tornam-se instrumentos de controle social. Quais as portas que não podem ser fechadas e quais as novas portas podemos abrir? Como podemos contribuir para a sociedade interpretar o momento que estamos vivendo? Quais são as novidades do conservadorismo brasileiro e como se operam as políticas de entrega das nossas riquezas, sejam elas econômicas, culturais, sociais, intelectuais.


É nesse cenário que construímos o III Congresso Catarinense de Psicologia: Ciência e Profissão onde o objetivo é pensar as psicologias que temos e as psicologias necessárias na construção de novos possíveis. Uma profissão que dialogue com o cenário atual e que propicie pensar horizontes para reinventar as práticas nessa nova sociedade global.

Objetivo do evento

Debater sobre o exercício profissional da(o) psicóloga(o) dentro da atual conjuntura e como estamos nos preparando para o futuro da psicologia, tanto nos espaços formativos, quanto nos espaços de prática profissional.